sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Clóvis


Oi Clóvis. Bom dia. 04-07-2009

 Tenho tanta coisa pra te falar, que resolvi digitar essa mesma carta que você está lendo antes de escreve-la no papel.
 Ontem não foi  um bom dia. Foi um dia confuso na verdade.
 Eu assisti um bom filme, Marley e eu, é a história de um cachorro. Você deveria ver. Mas eu durmi no final do filme. Acabei de assistir hoje, chorei. Depois assisti Um Lugar para Recomeçar. Muito bonito também. Mas de todos os três o mais tocante foi o último. A Casa do Lago. Você já assistiu ? Se não, eu lhe peço, assista. Me despertou emoções tão profundas... Não sei se você vai achar, mas me lembrou tanto, tanto, tanto nós mesmos...
 Eu odeio lan house's. Não sei por que, é uma aversão quase natural. Mas eu pensei em ir lá hoje. Saudades de coisas comuns. Como responder recados, teclar...
 Tenho vontade de chorar, não sei exatamente por que, é só uma vontade esquisita.
 Sabe o  jogo da verdade ? Descobri que não sou uma pessoa muito curiosa, tive que pedir ajuda a meus colegas para formular as 10 perguntas. ' O que você nunca teria coragem de perguntar a um/a menino/a mas morre de curiosidade de saber ? ' Cada um falou coisas mais engraçadas e idiotas que o outro. Foi muito divertido.
 Sabe, o filme, a Casa do Lago, eu simpatizei muitissimo com ele. Me fez refletir, foi realmente tocante.
 Talvez eu não tenha tanta  coisa assim para falar. Meu jardim está morrendo, minhas rosas murcharam e as outras estam secando. Eu fiquei imaginando se o jardim refletia sentimentos de quem cuida dele.
 Sonhei com gatos essa noite. Tinha muitos gatos. Mas tinha um que era especial, eu não me lembro bem como era sua aparência, mas lembro que era rajado como um tigre. E era lindo, e também tinha um segredo. Mas que um gato, ele era um homem. Isso mesmo! Um homem. Foi fantástico. Eu também não me lembro do rosto do homem. Mas sei que o sonho foi lindo e especial. Muitos, muitos gatos. Mas um era especial.
 A casa do lago... A casa do lago... muitissimo profundo, tanto que não consigo parar de pensar. Você já reparou que eu escrevo de uma forma que parece que a realidade está distorcida ? Eu estava notando isso. A Ellie, minha amiga imaginária, disse que é o espirito fantasia. No nosso ver, pensamento de escritor. Mas eu não quero mais ser escritora. Eu descobri que me falta muito para isso.
 Eu descobri mais coisas interessantes sobre mim. Eu sou um Curinga. Isso, um curinga. Talvez você não entenda. Mas se pelo menos tiver uma idéia do que eu quero dizer, terei mais certeza ainda, que você é meu gato especial. Se você não entendeu, pode ler o Dia do Curinga. Eu já sabia que era algo diferente, depois que li esse livro, descobri como se chamam as pessoas diferentes, Curingas. Dizem que são pessoas especiais, eu discordo, sou curinga, mas não sou especial.
 Você também é um Curinga, pelo menos eu considero. E um curinga especial. Saído de algum baralho bonito.
 Estou tomando suco de laranja. Tudo bem, suco de laranja. Mas eu estou tomando suco de laranja numa mamadeira cor-de-rosa. Sabe por que tenho tanta empatia por você ? Você não riria porque eu tomo suco de laranja numa mamadeira. Sim, você pode até rir. Mas eu tenho certeza mais que absoluta que ri diferente dos outros. Você não acharia que tenho algum problema na cabeça por tomar suco de laranja na mamadeira.
 Hoje me bateu uma grande saudade da minha tia. Não faço idéia do porque. Ela mora na rua de baixo. Aqui bem pertinho da minha casa. Eu poderia chegar lá em cinco minutos.
 Minha mãe quer que eu vá na festa junina da minha irmã. Não estou nem um pouco afim. Hoje é um daqueles dias que tenho vontade de me isolar e ver filmes um dia inteiro, ou ficar deitada pensando no mundo.
 Estou com saudades da kath, ela é minha vizinha, eu não deveria ter saudades dela nunca. Mas as vezes a vida nos obriga a fatos inusitados. Ela poderia ir na festa junina comigo, seria bem mais interessante.
 Eu fico imaginando minha mãe lendo isso, seria engraçado. Ela viria me perguntar tudo sobre você, e algumas coisas sobre a carta. Mas eu acho que minha mãe não é um curinga. Por isso eu nem tentaria explicar, porque ela não conseguiria entender. Tenho a impressão que só um curinga pode entender outro curinga. Mas ela deve ser uma carta importante, como uma rainha ou um áz.
 Aquele conto que eu te falei, está parado. Parei depois de narrar uma conversa com você. A conversa nunca existiu, mas alguns poucos fatos são baseados na realidade. Acho que vai uma vez vou deixa-lo de lado. Acho que sou uma ótima imaginadora. Nada além disso.
 O gato do sonho, ele não sai da minha cabeça. Acho que tem algum detalhe do sonho que eu deveria me lembrar mas não consigo.
 Não sei se tudo que eu digitei até aqui vai encher toda uma folha. Mas acho que já falei o suficiente.
                                                                                                                                                                      Hum... Te amor...
                                                                                                                                         Mil e um beijos.
                                                                                                                                                                       Danielle.

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