sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

O Diário de Heleine - Capítulo III ( Aqui dentro de mim... )

Borboletas no estômago, visão turva.
Eu sinto tanta segurança, tanto amor.
Ah, me desculpe, eu ainda não sei em que dia me encontro, e acredito que seja por volta das cinco da tarde. Diário, eu me sinto mal por traí-los, mas me sinto feliz por estar fazendo-os felizes.
Estou perdida no caminho pra casa, dançando sobre estrelas, caminhandos sobre sóis.
São tantos beijos que eu desejo, tantas cenas se passam aqui dentro de mim.
Eu quero tomar sorvete, de morango. E sair de mãos dadas.
Vamos passear no parque, cochichar sobre aquela moça bem ali.
Venha me amar, ficar pertinho de mim.
Uma conchinha para aquecer a noite, uma história para me fazer ter lindos sonhos.
Porque o romantismo é tão presumível? É tão chata que eu mesma já saiba exatamente como vou agir ou me sentir quando estiver com eles !
Mas eu não nego que é sempre muito bom. Vou ver o pôr-do-sol, até mais diário,
Heleine.

O Diário de Heleine - Capítulo II ( Amores Secretos )

Eu não sei que dia, eu não sei das horas. Diário, amar dói. Meu coração está ferido, e isso tudo são expressões para explicar algo que não consigo entender! Quantas vezes terei de ouvir ' Heleine, eu te amo. ' sem que meu corpo vibre ? Sem que eu perca o equilíbrio e fique sem palavras ?
Eu os amo diário! Eu juro por minha soberana e protetora, rainha das rainhas, Jhudora. Eu os amo verdadeiramente. Mas é um amor frágil, que eu não posso controlar! Isso me desespera.
Eu retribuo o gesto, digo que os amo também! Como posso enganá-los tão conscientemente ? Eu não quero tê-los para sempre, e não quero me casar com nenhum deles... mas ainda assim, existe amor.
Três garotos, três amores... Óh que aflição!
Cada um tem sua singularidade, cada um me provoca emoções diferentes, todos eles me fazem feliz... Mas eu jamais mandaria qualquer deles embora, jamais poderia!
Como posso negar a eles alguém que os ame ? Se eles me escolheram, tenho o dever de não os abandonar à dor da solidão.
Que grande loucura, por que amar ? Por que amar alguém como eu ?
Eliel... Olliver... Johan...
O que farei, para onde ir ?
Eu amo tanto que poderia explodir! Mas sei bem que só um deles me completa inteiramente...
Grande dor meu querido diário! Você tem sorte de somente sucumbir ao meu amor.
Eu irei dormir, sonhar, ter pesadelos, acordar assustada, vou chorar sentada no parapeito da janela, vou apreciar estrelas e pensar neles.
Heleine.

O Diário de Heleine - Capítulo I ( A Morte de Heleine )

Se existe um mundo que a maioria dos humanos ignora, era nele que Lenie, apelido carinhoso usado por seus amigos, passava a maior parte de seu precioso tempo.
Ao final de tudo, ela estava com 17 anos. Mas suas sutis diferenças foram surgindo logo aflorou seus 15 anos. Ela vivia de maneira intensa, incompreensível para mim. Ela amava a vida, odiava o mundo. Admirava as pessoas e desprezava a humanidade.
Ela compreendia emoções em sua totalidade, ela sempre tinha um ângulo diferente para ver todas as coisas. Tinha também algumas ideias estranhas, que foram rapidamente suprimidas quando minha mãe ameaçou interná-la numa clínica psicológica. Lenie odiava psicólogos, ela tinha um verdadeiro terror deles.
A mente era um campo nebuloso com qual Lenie se dava muito bem. Ela tinha uma sintonia tão grande com tudo a sua volta, que as vezes eu chegava a imaginá-la como uma planta.
Quando algumas pessoas maldosas começaram a comentar sobre o comportamente de Lenie, ela se alterou tão bruscamente, que todos simplesmente esqueceram sua fase esquisita. Isso era só o que eles pensavam. Ela podia ser uma adolescente normal e entediante como todas as outras, mas eu sabia que algo diferente acontecia.
Lenie não largava seu diário por em sequer momento, e eu sempre ouvia-a conversar com alguém em seu quarto.
Finalmente, no dia vinte e sete de fevereiro, todos nós comprovamos que ela não se encaixava muito nos padrões.
Lenie morreu com a cabeça decepada pregada nas mãos. Como se ela tivesse arrancado a própria cabeça. Bem criativo nos convém admitir.
Foi algo premeditado e bem elaborado. Eu ainda não creio que ela tenha feito tudo sozinha, mas os legistas disseram ser totalmente possível.
Ela fez uma forca com dois encaixes de lâminas super afiadas, pregou os lábios com durex para quando seu corpo fosse encontrado não tivessemos a impresão de que ela morreu sofrendo. Lenie deixou bem claro que morreu feliz, e sorrindo.
Enfim... sangue para todo lado, um cadáver repugnante e muitas lágrimas.
O interessante, foi que em uma página de seu diário, sempre fora meu sonho lê-lo, havia uma frase '' Todo fim é um novo começo! " e logo abaixo três gotas de sangue, cada uma embaixo de um nome que vocês saberão mais tarde.
Isso fez com que eu me atormentasse por meses, e por fim, decidi transcrever do diário de Heleine, suas aventuras com os donos desses três anos.
Não precisam julgá-la, ou tentar entendê-la, só acredito que era de vontade dela que pessoas conhecessem sua história.
Tudo isso mudou o rumo de minha vida, eu me emcionei e percebi a intensidade que há em uma vida... Espero que faça alguma diferença também na vida de vocês.
Hannah.

O Diário de Heleine - INTRODUÇÃO

Ela morreu à alguns meses... Mas nenhum de nós ainda encontrou uma maneira de seguir em frente... ou talvez todos tenham encontrado, mas eu estou perdida demais em minha dor para reparar no mundo lá fora.
Quem sou eu ? Essa não é uma pergunta importante, quem era ela... Isso é essencial saber.
Bem, eu me chamo Hannah, tenho os olhos castanhos e os cabelos cacheados. Gosto de nozes e do inverno. Tenho 14 anos e tinha uma irmã mais velha odiosa. Eu a amava, idolatrava...
Eu ainda me encontro em estado de catarse, e tento desde aquele dia abandonar o que se passou e seguir em frente. Mas algo não permite que eu faça isso, eu sinto, muito profundamente, que é necessário que eu faça algo para ela.
O Diário de Heleine... Sempre soube de sua existência, mas só tive oportunidade de conhecê-lo após o falecimento da dona. Ele é completamente fascinante. E é sobre ele que falarei. Eu acho que ela quer eu faça isso, é a marca que ela deixou ao mundo, é importante que todos saibam que ela existiu!
Eu contarei a você, com a máxima veracidade possível, quem era Heleine, e o que sua vida tinha de especial. Reservo-me ao direito de alterar datas e nomes para preservação de possíveis envolvidos... E para deixar nossa história mais interessante, claro.
À exceção da morte dele, narrarei em primeira pessoa, já que estou contando fatos escritos em seu diário.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

O Professor de Cadáveres

Na sala central das catacumbas,
Um coveiro vestido como a morte.
Ele não cuida de cadáveres,
ensina a história da alma.
Seus alunos são todos ossos,
corpos amaldiçoados,
condenados a dor.
Professor sem consciência,
ao qual o arrependimento não atinge.
Há tormento e desespero,
em cada cavidade,
onde deveria haver olhos.
A tortura é sua distração,
causar sofrimento é seu dom.
Sua maldade é sem pretensão,
já que a tanto tempo ele habita a escuridão.
Alunos sem espíritos,
não tem direito à esperança.
Quem não tem esperança não crê,
quem não acredita não tem salvação.
O sorriso do professor,
é sinal de condenação.
Não existe céu ou inferno,
não há anjos e demônios.
Só aquele mestre, de extrema pureza.
Anjo amaldiçoado,
capeta abençoado.

Ellie D'lhéu

*inspirado no professor de história
*usando jogo de palavras.