quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

A maldição


Meus olhos nus e desprotegidos,
vêem diante de si a realidade.
Ó, e que cruel realidade,
mesmo a esperança já não existe mais.
Perdidos, amedrontados, acuados
buscam nas lágrimas algum consolo.
Mas nem elas podem ajudar,
um mundo que perdeu-se no vácuo.
Só restam corpos sem alma,
inundados pelo veneno do pecado.
Sofrimento não é considerado ruim,
pois ninguém conhece nada além dele.
Muitos se entregam, se desesperam,
mas sábios são aqueles que desistem.
Deus é uma palavra desaprendida por muitos,
mas os que desistem, sabem quem ele é.
Aqueles que renegam esse mundo amaldiçoado,
o conhecem, o vêem, vivem de suas graças.
Meus olhos já não suportam mais,
o joelho que se bate ao chão,
preces murmuradas entre suspiros,
e enfim, meus olhos encontram a paz.
Apenas um fio vermelho corre ligeiro pelo corpo, ainda quente,
mas sem vida.

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