Livre-arbítrio ou destino. Não fazia diferença. Ele nascera no mal, ao mal se dedicara e no mal estava. Não foi uma escolha e mesmo que fosse era ali mesmo que ele se encontraria.
Guardava-se em tempos de sol onde sorrisos flutuavam livremente pelo ar, isso o machucava e mais que isso, lhe causava tremenda repulsa.
E aquela noite ele franziu as sobrancelhas quando uma brisa fria o envolveu vorazmente. A noite nunca o recebia, ela só existia. A lua, o brilho das estrelas e a escuridão que vagava por todo canto a engolir gritos de almas indefesas.
Encaminhou-se para seu campo de batalha, becos ainda mais tomados de escuro do que todos os outros lugares, e começou sua batalha por sua causa. Saqueou quantas vidas lhe convinham, sem jamais tomar consciência de futilidades como piedade, misericórdia, compaixão. Ele fazia o que lhe cabia e deixava os corpos de almas roubadas espalhados pelo chão fétido para que as famílias os levassem ou para que os roedores deles se fartassem.
Onde existir o mal, lá estará o bem para oferecer-lhe resistência. O guerreiro-luz se cansava e via impotente sua áurea ir-se enegrecendo pouco a pouco.
Até que ele a viu. Seu mundo parou de girar e seus olhos foram possuídos. Daquela figura pálida não se desgrudavam. Ela não se movia, não respirava e para parte alguma parecia se dirigir. Ela simplesmente exisita e estava ali com seu corpo frágil e seus cabelos que esvoaçavam a volta do rosto sombrio.Ela levantou a cabeça e olhou-o por uma fração de segundo. Foi o suficiente. Dele partiram tamanhos sentimentos que ele podia sentir seu peito queimar com a intesidade de algo nunca antes sentido. O guerreiro-luz não hesitou, em um golpe certeiro, atravessou-lhe a espada no peito.
As lágrimas misturavam-se ao sangue que jorrava avidamente pela lâmina ali encravada. Ele urrou, como um lobo, como um monstro. Cada fagulha de luz que por perto havia sucumbiu a avassaladora maldade que saia dos berros enfurecidos. Ele praguejou contra tudo e todos que existiam. E condenou aquilo que o destruía, o amor.
E então, ela o beijou. E a paz que o envolveu foi demasiada grande que ele não podia mais ouvir, nem ver ou proferir palavras. O mundo lá fora não mais existia e tudo dentro dele era paz. Ele não deu um último suspiro, não fechou os olhos, ele só estava em paz.
// Numa bela noite de domingo, conversando com alguém muito especial, ele me diz ' Pode não parecer mais eu te gosto muito ' ou algo assim. De repente um jorro de imagens e palavras ferventes borbolham na minha mente, fiz muitos rabiscos no meu caderno de desenhos (figuras horrendas, não sei desenhar) e escrevi esse texto...Apesar da linguagem agressiva, a ideia do texto é pura e simplesmente demonstrar o poder do amor.Não vou me aprofundar, tirem suas próprias conclusões...É isso ai, dedico para ele, que me inspirou. //
12/12/2010
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